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O governo federal divulgou, em edição extra do “Diário Oficial da União”, o decreto 7.724, que regulamenta a Lei de Acesso à Informação (12.257/11).

Se você esta curioso por saber quanto ganha (e quanto gasta) um alto funcionário da Caixa Econômica, Petrobrás ou Embratur vai continuar curioso.

As empresas públicas estão liberadas do dever de informar.

Ainda não se sabe como o governo do Estado vai tratar o assunto.

Trem em Morretes

Onde o pastel de carne de Morretes?


Não tenho saudade do velho trem de passageiros.

Consegui deletar a insuportável lembrança da Estação Marumbi e de seu pastel de carne.

Venci a memória do apito na madrugada de Jaguariaiva – só choro pelo trilho solto sobre o dormente podre.

Esqueci o doce balanço do trem de aço.

o famoso trem de aço

O famoso trem de aço Rio-São Paulo

Você ia para a cabine em São Paulo e acordava no Rio de Janeiro.

Tinha banheiro para chegar cheiroso.

E armário para não amassar o paletó de tropical SuperPitex.

Existe a necessidade prática, urgente, cotidiana da volta do trem de passageiros. É só olhar as saídas das cidades no feriadão.

Se você lotar um trem para Paranaguá, a BR 277 ficará mais transitável.

Haverá menos acidentes e cairá a taxa de poluição do ar.

Em algum arquivo da memória lembro do trem de passageiros para o Rio Grande do Sul, que me levou a Porto Alegre pela primeira vez.

Não era romântico, era estratégico. Fazia parte do TPS – Tronco Principal Sul – da espinha dorsal do projeto de desenvolvimento do país.

Os mineiros possuíam um trem de aço, lindo, que ia de Belo Horizonte para o Rio.

E agora vejo que os vizinhos sofrem a mesma ausência.

Dê uma olhada em http://wwwcronicaferroviaria.blogspot.com.br/2011/03/pidiendo-gritos-la-vuelta-de-los-trenes.html

Onde está o trem entre Buenos Aires e Mendonça?

Os argentinos pedem aos gritos a volta dos trens de passageiros. Em todo o pais.

Chora, meu lider!

Em: histórias

11 abr 2012
Atrás nas pesquisas

Ken Levingstone, seis pontos atrás de Johnson


Virou assunto de primeira página e discussão nacional o choro do ex-prefeito de Londres e novamente candidato Ken Livingstone

O pranto é destacado no blog do Guardian, que pergunta: lágrimas em público traem uma fraqueza indesculpável num cidadão prestante ou ilumina os líderes com uma saudável luz de humanidade?

Lágrimas podem representar uma tentativa de reconquistar a solidariedade dos cidadãos eleitores (na última pesquisa, Livingstone está seis pontos atrás de Boris Johnson, o atual prefeito)?

A tendência do choro é recente nos políticos do sexo masculino. Ninguém se lembra de Getúlio Vargas em lágrimas, nem nos piores momento que antecederam o suicídio.

Em compensação, Lula não pode ver defunto sem chorar. E vai às lágrimas também quando fala do Corinthians, da vida no nordeste, dos antigos companheiros.dfddf

Choro discreto de FHC

Lá está o executivo que entrou no Clube dos Bilionários, o especialista que explica o décimo vazamento de óleo, o craque de 11 milhões de reais, Carlinhos Cachoeira ou seu alter ego Demostenes Torres, e uma socialite que inaugura o maior shopping Center da cidade.

O confronto favorece FHC e lembra ao povo que ainda existem políticos que não se envolvem nessas coisas que a gente vê todo o dia.

Deve ou não deve chorar o político em dificuldades com sua base eleitoral?

Hillary Clinton chorou abraçada a eleitores após perder a primaria de Iowa para Barack Obama, que, por sua vez, chorou ao saber que era Presidente dos EUA.

O choro, em resumo, oferece ao público uma possibilidade a mais de entender o que está acontecendo, na medida em que substitui um acontecimento por um signo.

Comove, desperta simpatia, reconhecimento e sobretudo vontade de perdoar.

Sendo assim, por que o Derosso não chora?

Finzetto, o heroi da Estadual

A Estadual foi Finzetto

No ano passado, depois que um discurso da Presidente da República foi tirado do ar no meio de uma transmissão ao vivo, o governo do Estado resolveu transferir a TV Educativa da Secretaria de Cultura para a de Comunicação. Editou o decreto Nº 2972 – 11/10/2011
Publicado no Diário Oficial Nº 8567 de 11/10/2011.
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Mestre Waltel

Em: poder local

2 abr 2012

Waltel Branco

A homenagem que faltava a Waltel Branco

Waltel Branco já era doutor em música. Agora, solicita-se a formalização do título.

Nascido em Paranagua, em 1929, mestre Waltel é o grande violonista do Paraná cujas gravações são admiradas em todo mundo.

Virtuose no violão, compositor inspiradíssimo, foi o principal regente/arranjador da TV Globo durante 20 anos.

Mas nunca se afastou realmente do Paraná, onde estava sua família, os amigos, as raizes. Em 1975, por exemplo, na inauguração do Grande Auditório do Teatro Guaira, lá estava ele arranjando os temas e regendo a orquestra sinfônica e coral.

Durante essa longa atividade artística influenciou gerações, interferiu positivamente na carreira de centenas de compositores, interpretes e, principalmente, do público, que ganhou com seu jeito brasileiro de ler os grandes compositores universais.

Esse gênio de franciscana humildade jamais teria o merecido reconhecimento da Universidade não fosse a iniciativa do desembargador, acadêmico e instrumentista Ney José de Freitas. Ele formalizou ao reitor da Universidade Federal do Paraná o pleito de todos para que seja concedido a Waltel o título de Doutor Honoris Causa

Doutor Waltel

Em: meio ambiente

31 mar 2012

Ninguém sabe mais do que o Waltel Branco. Grande maestro, compositor inspiradissimo, violonista do primeiro time do classico e do popular.

Doutor Waltel

Ninguém mais doutor, compositor, inspirador

justiça?

O povo quer justiça

Até quando a regra da tirania continuará a ser chamada de justiça, e a justiça do povo de baderna?

(Maximilien de Robespierra, nascido em 1758, guilhotinado em 1794)

falta justiça

Justiça incerta em tempos mutantes


Perdi mais um pedacinho da fé na Justiça: o STJ decidiu que motorista bêbado não está bêbado – só quando o bafômetro atestar que a figura cambaleante à nossa frente tem mais de 0.7 de álcool no sangue.

E incrível! aumentou um pouco minha fé na polícia – não em todas as polícias, na de São Paulo – depois que o delegado-geral de lá, Marcos Carneiro, disse que vai continuar tirando os bêbados de circulação.

“Mesmo com a decisão do STJ, o delegado que, após avaliação, entender que é o caso de prisão ou indiciamento, vai cumprir o que diz a lei, mesmo sem bafômetro ou teste de sangue”, afirmou o delegado-geral.

Como São Paulo é ouvido por Brasília (o que nem sempre acontece com Curitiba) é possível que as excelências mudem de opinião em futuro próximo.

Outra mudança pode ocorrer no caso de violência sexual a menores. O Brasil se indignou ao ver que o STJ tinha libertado um cidadão acusado de estupro de três garotas de 12 anos.

A terceira seção do STJ absolveu o acusado por entender que as meninas já teriam tido relações sexuais com outras pessoas.

A decisão, da última terça-feira, baseou-se em parte no depoimento da mãe de uma delas. A filha, contou ela, faltava à aula para se prostituir.

Em 1966, o ministro Marco Aurélio Mello, do STJ, fez história ao declarar que não existiam mais meninas de 12 anos – só moças.

A discussão interessa a todos. Ainda é possível, depois que inventaram o BBB, o funk e as raves, presumir violência sexual sempre que alguém tem relações sexuais com menor de 14 anos?

Uma questão parecida levou Earl Warren, o sempre lembrado presidente da Corte Suprema dos EUA, a constatar que os juízes não são monges nem cientistas, mas participantes da dinâmica da vida nacional.

“Nosso sistema (jurídico) não enfrenta nenhum dilema teórico, mas um único e contínuo problema: como aplicar à sociedade em mudança os princípios permanentes da justiça e da liberdade?”

O direito à piada de mau gosto

Humor grosso e rasteiro do PDU

Millor morreu, é preciso cuidar da herança dele. Por exemplo: ele deixou dito que uma democracia deve assegurar liberdade a todos – inclusive liberdade para fazer piada de mau gosto.

Foi o que aconteceu agora com o manual de sobrevivência dos calouros editado pelo Partido Democrático Universitário , da Universidade Federal do Paraná.

Citando jeitos de se dar bem com as garotas, o manual manda exigir que dêem tudo porque, segundo o art. artigo 233 do Código Civil, a obrigação de dar não pode ser parcelada. “A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados”

O PAR – Partido Academico Renovador – adversário do PDU, divulgou nota de repúdio. Diz que o manual é machista. Certo. Mas provavelmente é machista desde a fundação da Faculdade de Direito.

Qualquer advogado de cabelos brancos lembra que um dia ouviu essa piada de mau gosto no cafezinho do Forum Civel.

Se riu, confessou que acha graça no humor grosso e rasteiro do Rafinha Bastos e da turma do Pânico, das arquibancadas dos estádios de futebol, daquele tio que se oferece para levar sobrinho à zona.

Claro que o manual é ineficiente. Priscila Brito, assessora técnica do CFêmea, centro feminista de estudos e assessoria, avalia:

“É uma tiração de sarro feita por garoto. Entendo que a mulher possa se sentir ofendida, mas prefiro crer que um universitário tem inteligência para não levar isso tão a sério”

Em tempo: se é para transformar tudo em machismo, convem se indignar com a letra de Tin Tin Por Tin Tin, clássico de João Gilberto. “Você tem que dar, tem que dar/o que prometeu, meu bem”.

O esporte preferido

Não há emoção maior (Em www.footballnetwork.or)


Violencia e futebol sempre andaram juntos. Desde o dia em que a primeira bola rolou no primeiro campo do mundo. Foi na Inglaterra, 225 anos antes de Cristo.

As partidas disputadas entre vilas rivais envolviam centenas de homens. Homens, heim? Futebol sempre foi coisa de macho.

A bola – uma bexiga de porco com capa de couro – era apenas um detalhe, pretexto para acertar velhas rixas, decidir quem ficava com a mulher do outro, com a terra, o gado.

Por ser tão autêntico, tão emocionante, o jogo-batalha tornou-se cada vez mais popular. No século 14 a realeza inglesa sentiu que aquilo não podia continuar assim.

O Rei Edward III proibiu o futebol. Não apenas pela violência e pelo barulho, também por motivos militares. O esporte da bola conquistava os jovens, que perdiam interesse pelo arco e flecha.

A Rainha Elizabeth I mandava jogadores de futebol para a cadeia. A pena media era de uma semana.

Aí aconteceu a coisa terrível. A popularidade do futebol cresceu muito na clandestinidade. O reino decidiu oficializá-lo em 1681.

Ainda havia muitos feridos e até mortos depois dos jogos. Mas agora o jogo era oficial.

Era dos boleiros – os novos heróis do reino. Mais tarde chegaram os treineiros.

E finalmente o futebol foi entregue a cartolas malandros, que inventaram calendários, copas, patrocinadores oficiais.

A violência absoluta, aquela do instinto básico, do acerto de contas e da vingança tribal, perdeu espaço em campo. Foi para onde está hoje – os terminais, as esquinas distantes, o lugar combinado na internet.

Nesse jogo, os homens jovens pingam adrenalina, suam, sangram, morrem. Não há regras, nem tempo para terminar a pugna. Também não há torcida, apenas o testemunho discreto das câmeras que vigiam o trânsito.

Alguém ainda vai descobrir que na briga de rua está o verdadeiro esporte das massas emancipadas.

Sem heróis e sem autoridades.

Sobre o blog

Cidades sem portas é um blog atualizado por Adherbal Fortes de Sá

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